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Cultura · Todo domingo · 4 min de leitura

A várzea: o coração pulsante do futebol raiz

Sem placar eletrônico, sem gramado inglês, sem narrador. Só a bola, o sol e a galera na beira do campo.

A várzea: o coração pulsante do futebol raiz

A várzea é o nome carinhoso que se dá ao futebol amador disputado em campos de terra, de grama mal cuidada, atrás de fábricas, embaixo de viadutos, ao lado de rios que insistem em transbordar. É lá que o Brasil aprendeu a jogar — e onde continua aprendendo.

Times como o Nacional da Vila Mariana, o Kaeté de Pirituba e centenas de outros mantêm viva uma tradição que começou ainda no início do século XX, quando operários, imigrantes italianos e portugueses fundavam clubes de bairro para disputar campeonatos amadores nas tardes de domingo.

Na várzea, o juiz pede licença para apitar, o atacante usa meião por baixo da meia rasgada, o goleiro veste a camisa amarela do irmão mais velho. A torcida é a família, os vizinhos, o dono do bar que empresta a churrasqueira. E o terceiro tempo, na mesa de boteco, vale tanto quanto o jogo.

Enquanto houver várzea, haverá futebol raiz. E enquanto houver futebol raiz, esse esporte continuará sendo, antes de tudo, do povo.

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